Isto, Acima de Tudo

O título brasileiro, já dá uma idéia de que é um filme antigo, estilo dramático… de alguma forma, o título combina com o nome do seu realizador, Anatole Litvak…

Me surpreendi… Não era o filme que eu ‘tava buscando assistir, mas, valeu mesmo assim… Fazia muitooo tempo que não assistia um filme com Tyrone Power, e esse veio acompanhado pela Joan Fontaine, que há mais tempo ainda, não assistia…

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Tyrone Power e Joan Fontaine (foto web)

Tyrone Power era realmente um homem bonito, poderia cair facilmente (se é que não caiu), no estereótipo do latin lover (amante latino) hollywoodiano… moreno, de sombracelhas fortes, e rosto duro… um tipo bem masculino… Tinha um jeito de que não era leve, e uma certa tensão parece emanar da pessoa dele (não falo do personagem, e sim do homem, da pessoa)… mas, sempre mandou bem, naquilo que se esperava dele, encenar a figura do galã / herói… Como muitassss pessoas da sua época, também parecia mais velho do que realmente era…

Preste atenção na oscarizada Joan Fontaine… Não é uma mulher lindíssima, mas, tem um tipo de beleza, além do comum, mas, nunca (opinião totalmente pessoal) entre as mais belas… e, manda bem, também, tem uma voz que se expressa em alguns momentos, com um leve cantar…

O filme… Homem de licença da guerra (2°), conhece jovem voluntária das forças do exército feminino, iniciando sua história de amor… E aqui, há o que se dizer…

Em 1942, ano da realização do filme, a 2° Guerra estava em plena ação, a Inglaterra, onde a história se passa, estava sob ataque nazista, como no filme, e, ninguém sabia onde e como iria se desenvolver, e quiçá, acabar o conflito, que todo sabemos, foi trágico pra todos, que viviam no mundo naquela época…

Parêntesis; esse podridão nazi anda em voga na mente demente de alguns aqui no Brasil, meu país, como uns surtudados andam mostrando descaradamente por aí… Fecha parêntesis

Voltando… então temos um filme, que já ganha um interesse a mais, por estar falando de um assunto sério, e (lamentável) atual… Também, é de 1942, o ano do mítico, Casablanca (obviamente, e muito longe qualquer intenção de comparação, de uma obra com outra), que também tratava de relações pessoais no desenrolar e pra ajudar na guerra… O filme do Tyrone e da Joan, se prende, se segura, pelo seu elenco, por sua história, e pela sempre presente qualidade dos filmes da Twenthy Century Fox, na época comandada pelo poderoso Darryl F. Zanuck…

Spoilers;

A cantora Brenda Forbes (que eu não conheço), canta uma musiquinha (no melhor sentido), que é uma sátira, uma tiração de onda, com o monstro supremo do estado nazista, que atacava o mundo… Legal, saber, que as pessoas não perdiam o senso de humor, mesmo nas crises… se fosse hoje viraria um meme…

Outra lance, vai de encontro ao que eu acredito… As pessoas são sempre as mesmas… não importa a época, o penteado, o século que a pessoa viveu, o ser humano é sempre o mesmo, com suas qualidades, e não-virtudes… Numa cena, pai e filha vão jantar fora sozinhos, no restaurante, o pai comenta com a filha “…as pessoas vão falar, olha só aquela jovem com aquele velho, com certeza tá com ele por causa do dinheiro…” isso num filme de 1942!, mas podia ser nos idos do século anterior ou agora em 2020, muitos falariam algo semelhante mesmo, se vissem uma cena assim… É uma frase pré conceituosa, que julga e insulta ambas as partes, seja real ou não…

Outra situação que me chamou atenção, e ainda é atual… o classismo… o herói, está vivenciando um drama de consciência, desertar ou não, e porquê? Por que não aceita lutar numa guerra por questões que ele simplesmente não concorda, isto é, por governantes que ele não se se sente representado, e pra defender uma elite aristocrática (a nobreza britânica), que não abre mão de seus privilégios, enquanto o povo, é sempre posto de lado ou pra trás… A elite, está bem simbolizada, na personagem que diz “… eu não sou contra a igualdade (de classes), posso até vir a ser igualitária, desde que os meus direitos de não ser tratada como uma pessoa comum se mantenha…”

Parêntesis 2 – não é a cara de muita (coisa) e de muitos que vemos hoje? Fecha parêntesis

Enquanto, eu escrevia, eu percebi, como essa idéia, do personagem, realmente expressa uma vibe que devia tá no ar, porque, se olhar mesmo que superficialmente, essa é a idéia do movimento hippie, da luta e oposição à guerra da geração dos 60 / 70, de não lutar por um sistema falido, de se posicionar de forma anti bélica, e as pessoas que foram jovens nos 60, são as pessoas que foram geradas nessa época, a geração dos nascidos nos anos 40…

Agora, o mais notável, e que não pode, deixar de ser dito… o sexo!

O sexo permeia todo o filme, e olha, que eles (Power / Joan) nem tem tanta química (erótica)…

Obviamente, que pra você leitor ou cinéfilo, que ainda não sabe, naquela época, ou antes dela, ou agora, 2020, as pessoas transavam, e muito! se não o planeta não estaria superpopulado… mas, na época, não era possível mostrar na tela as pessoas fazendo amor, então criaram códigos (internos feito pelos próprios estúdios) que além de colocar o respeito em cena pra não chocar e espantar as pessoas, funcionava bem para evitar importunacões… Os escritores sempre escreveram o que queriam e mandavam um foda-se para a censura (afinal, pouca gente lia mesmo), mas, os filmes eram para o povo, então os cineastas tinham que rebolar e criar meios (metáforas até) pra pessoas saberem o que tavam falando… Exemplo: casal, se beijando, em casa ou algum canto, e corta!, ficava escuro… Sexo! e por aí ia… o que se filmava a mais e não podia mostrar, cortava-se, na sala de montagem… Nesse filme a ação se passa na 2° Guerra, e como todos sabemos, em época de guerra os valores e a moral vai pro ralo… isto é, ninguém sabe se vai tá vivo ou não, então o foda-se é geral… e o sexo também… O casal aqui, é expulso de um muquifo, quando tenta alugar um quarto (o proprietário diz que vai manter a moral e a decência), suborna o senhor trabalhador do trem pra ficar sozinhos numa daquelas cabines daqueles trens que eu nunca vi (e Joan troca toda a roupa diante de um Tyrone que vira levemente o pescoço de lado), e mais quartos de hotéis adiante… tô rindo sozinho aqui… Palmas pro diretor Litvak, foi ousado mesmo!

Pra mim, foi uma grata surpresa… coisa de louco em pleno carnaval (festa da carne), fazer narrativa de um filme tão antigo… só eu…

Pra você leitor, cinéfilo ou não, apenas digo, de uma chance aos filmes antigos (a todos os filmes, na verdade) vocês vão se deparar com estórias (história é o que a gente aprende na escola) originais, divertidas, que trazem conhecimento, e serão apresentados a pessoas que foram enormes em talento, grandeza, carisma e algumas dessas pessoas foram realmente geniais…

Paulo Alfuns – não sou crítico, sou só um cinéfilo, que escreve baseado no que viu e sentiu… 🤩

Publicado por Paulo Alfuns

Paulo por Paulo... emocional (às vezes), sexualmente transparente, nunca faço média, individualista (nunca egoísta), narcisista (?) talvez... 💋

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